Temas Transversais

Estes temas não têm um fim em si mesmos. São o meio para fazer a Universidade do Estado da Bahia cumprir sua missão, pois permeiam todas as suas atividades. Estão presentes para consolidar uma cultura cosmopolita, com estímulo às redes colaborativas, respeito à diversidade, predisposição para inovar em todos os ambientes da universidade de forma planejada e participativa. Por esse motivo, têm o merecido destaque nesta seção, onde apresentamos a concepção e os desafios de cada um.

Raças/Etnias, Gênero e Sexualidades

Elementos fundamentais na discussão de uma universidade inclusiva. Referem-se a todas as instâncias da vida acadêmica e englobam todos os que dela fazem parte (estudantes, concursados, REDA, cargos, terceirizados). Olhar para a UNEB sob essa perspectiva demanda: preparo para trabalhar com estudantes negros, indígenas, oriundos de escola pública na graduação e na pós-graduação; ampliar cotas; olhar apurado para as questões étnicas, de gênero e diversidade sexual que permeiam todos os ambientes da universidade, com escuta e rapidez na resolução dos conflitos ocorridos nas relações cotidianas; propor medidas inclusivas e de respeito à diversidade, na perspectiva dos direitos humanos, desde a linguagem escrita das resoluções e documentos oficiais, passando pela inclusão dos debates sobre racismo, diversidade sexual e gênero nos currículos; criar programa de acompanhamento dos estudantes cotistas visando a permanência e a auto emancipação.

Internacionalização

Tem fundamental importância no contexto do ensino superior em uma sociedade global, com efeito definitivo na qualidade do ensino e da pesquisa. É um desafio em um contexto de universidade multicampi (com ênfase local/regional) e com restrições orçamentárias, pois sua prática demanda recursos, agilidade e competências linguísticas e políticas. Tais questões precisam ser enfrentadas por meio de uma forma mais estruturada de promover a internacionalização. Precisamos ir além da criação de pastas e proposta de planos. Internacionalizar é fazer acontecer na prática, de maneira orgânica, com estratégias programáticas (programas acadêmicos, pesquisa, publicações, atividades extracurriculares) e organizacionais (pessoal, finanças, formação em línguas) que dêem sustentabilidade ao processo com vistas à implantar e fortalecer programas de cooperação, parcerias para desenvolvimento científico e tecnológico, mobilidade de estudantes e professores, currículos com perspectiva internacional, dentre outros.

Inovação

Ligada à própria criatividade humana significa o constante desafio de propor novidades frente à situações- problema. Aqui entendida para além da dimensão tecnológica, mas como atitude presente nas ações de ensino, pesquisa e extensão, no fazer universitário. Precisamos apoiar ideias inovadoras do ponto de vista da gestão, que tenham potencial de interferir positivamente nas respostas que a universidade pode e deve dar à sociedade por meio das políticas públicas.

Planejamento

Precisa estar aproximado dos atores protagonistas do ensino, pesquisa e extensão; com foco na gestão descentralizada; desburocratizada; eficiente; com visão humanista e que valorize o servidor como principal parceiro para a realização das atividades-fim da universidade.

Comunicação

Apesar de todas as possibilidades oferecidas pelos meios de comunicação e do grande desenvolvimento das tecnologias da informação, a comunicação entre os diversos setores e unidades da UNEB encontra-se prejudicada. Isso foi ponto recorrente de discussão nas reuniões de escuta aos gestores. A comunicação é sempre dificultada porque cada um está voltado com as demandas e atribuições da sua pasta. Práticas de gestão participativa, com adequada interação entre os setores e desvinculada de uma burocracia excessiva, são possibilidades para garantir que a interdisciplinaridade aconteça na prática, com tomadas de decisão mais acertadas na complexa estrutura de universidade multicampi. Será prioridade, pois, a melhoria da comunicação interna, mas também da comunicação externa, de modo a garantir perante a opinião pública uma efetiva divulgação institucional, através dos diversos meios de comunicação.

Acessibilidade

Este tema compõe a política de inclusão defendida por esta proposta de gestão. Engloba as dimensões sugeridas por Sassaki (SASSAKI, 2006, p. 67-69 e 102-103): à arquitetura sem barreiras físicas, comunicacional (sem barreiras na comunicação entre pessoas), metodológica (sem barreiras nos métodos e técnicas de lazer, trabalho, educação, entre outros), instrumental (sem barreiras nos instrumentos, ferramentas, utensílios), programáticas (sem barreiras embutidas em políticas públicas, legislações, normas) e atitudinal (sem preconceitos, estereótipos, estigmas e discriminações nos comportamentos da sociedade para pessoas com deficiência). Na perspectiva dos direitos humanos e individuais é preciso ressignificar o lugar da pessoa com deficiência no espaço da universidade. Com base no modelo universal, partimos do princípio de que o acesso deverá garantir de forma integral a realização completa das atividades cotidianas do sujeito. Isso posto, e para além dos textos da Lei, planos e projetos é necessário atitude e investimento no sentido de colocar em prática tais concepções.

Bibliotecas universitárias em sistema

Compreendida como bem público, espaço de sociabilidade, a biblioteca é um lócus que detém bens disponíveis para usufruto dos que precisarem ou desejarem; um lugar especial de suporte à aquisição e produção do conhecimento na universidade contemporânea. Sua missão é possibilitar a troca de saberes pela comunidade acadêmica e externa, local de empoderamento dos sujeitos pelo conhecimento. O sistema de biblioteca da UNEB ainda não avançou para uma concepção ampliada que denote a importância fundamental e sistêmica deste espaço. Apresenta problemas estruturais, como restrições de acesso aos discentes e docentes porque carece de pessoal, atualização do acervo, orçamento específico (não tem unidade gestora), politica que dê celeridade à compra de acervos (livros chegam a demorar anos para serem adquiridos), São problemas básicos que impedem o avanço para um sistema de bibliotecas de ponta. É prioridade deste projeto, pois, revitalizar o sistema de bibliotecas (espaço físico, acervo, tecnologias) de forma a possibilitar abrigar informações das bibliotecas físicas e digitais. Na perspectiva das tecnologias da informação e comunicação, o sistema on line precisa ampliar as possibilidades de interfaces com repositórios institucionais, revistas, livros eletrônicos, bases de dados, teses e dissertações, podendo ainda abrigar um sistema integrado de documentação da UNEB. Ousando mais, podemos garantir a participação na Rede CAFE que permite conexão com a rede de instituições conveniadas possibilitando o acesso às respectivas coleções bibliográficas. Também poderá avançar sendo protagonista na adoção de um eficiente sistema de documentação da universidade. Tudo isso depende do investimento na base e suporte tecnológico.